
Cuidar de alguém com demência é um desafio que muitos familiares, amigos ou cuidadores profissionais enfrentam no quotidiano. Para além das dificuldades cognitivas e de memória, cerca de 20% das pessoas com demência experienciam um fenómeno conhecido como agitação ao fim do dia ou sundowning, que se manifesta por confusão, ansiedade e comportamentos agitados no final da tarde e início da noite. Estudos clínicos revelam que este fenómeno pode estar presente em percentagens muito variáveis de pessoas com demência, entre cerca de 2,5% e mais de 60%, dependendo dos critérios usados, e torna-se mais comum à medida que a doença progride.
Compreender porque acontece esta agitação ao fim do dia e como intervir de forma eficaz é essencial para proporcionar um ambiente mais estável, seguro e tranquilo para todos os envolvidos.
Porque é que acontece a agitação ao fim do dia?

A agitação ao fim do dia em pessoas com demência está frequentemente associada ao fenómeno clínico conhecido como sundowning ou síndrome do pôr-do-sol. Esta expressão descreve o aumento de sintomas comportamentais, como confusão, ansiedade, irritabilidade, agitação e desorientação, que tendem a surgir ou intensificar-se durante a tarde e a noite.
Existem vários fatores contribuem para este padrão:
- Danos cerebrais: podem interferir com o relógio biológico, tornando mais difícil distinguir dia e noite.
- Fadiga acumulada ao longo do dia: A incapacidade de processar estímulos e fadiga podem aumentar a confusão no final da tarde.
- Estimulação ambiental e sensorial: Redução de luz natural, sombras e ruídos podem ser percebidos como ameaçadores ou confusos.
- Necessidades físicas não satisfeitas: Fome, sede, dor ou necessidade de ir à casa de banho podem agravar a agitação, quando a pessoa não consegue comunicar eficazmente essas necessidades.
Estes fatores interagem com a perda progressiva de função cerebral que caracteriza as demências, como no caso da doença de Alzheimer, que é responsável pela maioria dos casos de demência e envolve alterações profundas na capacidade de processar informação, regular emoções e adaptar-se a mudanças ambientais.
Como ajudamos a reduzir a agitação ao final do dia?

O apoio domiciliário especializado pode desempenhar um papel significativo na redução da agitação ao fim do dia, não apenas pela presença de um profissional, mas pela forma como a rotina, o ambiente e as estratégias de cuidado são adaptados às necessidades da pessoa com demência.
- Ambiente familiar e rotinas previsíveis: Mantemos a pessoa no seu ambiente familiar, rodeada de objetos e rotinas conhecidas, de forma a reduzir a ansiedade e a confusão. A consistência nas atividades diárias, nas horas de refeição e descanso ajuda o cérebro a estabelecer sinais temporais e a diminuir a desorientação ao fim do dia.
- Cuidados personalizados e ajustes ambientais: Profissionais de apoio domiciliário podem:
- Adaptamos a iluminação para reduzir sombras que desencadeiem desorientação.
- Simplificamos estímulos visuais e sons no fim da tarde, criando um ambiente mais calmo e previsível.
- Identificamos cedo possíveis gatilhos para a agitação, como desconforto físico ou necessidade de movimento.
- Apoio direto à pessoa cuidada e ao cuidador informal: Os profissionais podem fornecer:
- Companhia e supervisão, o que diminui comportamentos de ansiedade e procura de estímulo.
- Orientação e formação ao cuidador familiar, para reconhecer sinais de agitação e utilizar estratégias de gestão emocional.
- Monitorização contínua da evolução da demência, ajustando intervenções conforme necessário.
A agitação ao fim do dia em pessoas com demência, muitas vezes designada por sundowning ou síndrome do pôr-do-sol, é um fenómeno complexo e comum, marcado por confusão, ansiedade e comportamentos agitados no final da tarde e início da noite. Está associado a alterações neurobiológicas, ritmos circadianos perturbados e estímulos ambientais que se tornam mais difíceis de processar com o avanço da doença.
O apoio domiciliário especializado oferece uma abordagem personalizada para gerir esta agitação: desde a criação de ambientes estáveis e rotinas previsíveis até ao suporte direto à pessoa com demência e à educação dos cuidadores familiares. Estas intervenções podem reduzir a intensidade dos episódios de agitação ao fim do dia e melhorar o bem-estar de toda a família.
Compreender que estes comportamentos são uma expressão da doença é o primeiro passo para responder de forma eficaz.
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