
O calor excessivo pode ser um grande risco para a saúde dos idosos. Com o passar dos anos, o corpo perde parte da capacidade de regular a temperatura. A sensação de sede pode diminuir, aumentando o risco de desidratação, exaustão pelo calor e golpe de calor. A Direção-Geral da Saúde alerta que os períodos de calor intenso são especialmente perigosos para os idosos. No verão de 2022, em Portugal, foram estimadas 2.212 mortes, colocando o país entre os mais atingidos em termos de mortalidade por milhão de habitantes.
Neste artigo, vamos explicar os principais perigos do calor extremo para os idosos, as medidas que ajudam a protegê-los e como o apoio domiciliário pode ser uma resposta importante para garantir segurança, hidratação e bem-estar nos dias mais quentes.
Quais os perigos do calor extremo para os idosos?
O calor extremo não causa apenas desconforto. Nos idosos, pode levar a problemas de saúde sérios em pouco tempo, especialmente se já houver doenças crónicas, mobilidade reduzida, alterações cognitivas ou uso de medicamentos que afetam a regulação da temperatura. Por isso, é importante reconhecer os riscos antes que se tornem emergências.
Entre os principais perigos, destacam-se:
Desidratação: muitos idosos não sentem sede com a mesma intensidade ou esquecem de beber água regularmente. A desidratação pode causar fraqueza, tonturas, confusão, dores de cabeça, quedas e agravamento de problemas renais.
Exaustão pelo calor: pode se manifestar através de sede intensa, tonturas, fraqueza, descoordenação, náuseas, suor excessivo, pele fria e húmida ou pulso acelerado. Se não for tratada rapidamente, pode evoluir para golpe de calor.
Golpe de calor ou insolação: é uma situação grave em que o corpo não consegue mais regular a temperatura. Pode causar pele quente e vermelha, pulso acelerado, tonturas, náuseas, perda de consciência e danos a órgãos vitais como rins, coração e cérebro.
Agravamento de doenças crónicas: pessoas com diabetes, doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais podem ser mais vulneráveis ao calor. Alguns medicamentos também podem dificultar a transpiração ou a capacidade do corpo de lidar com altas temperaturas.
Maior risco de quedas: a desidratação, a queda da pressão arterial, as tonturas e a fraqueza muscular podem aumentar o risco de quedas, principalmente quando o idoso mora sozinho ou se desloca sem supervisão.
Dificuldade em comunicar o desconforto: idosos com demência ou alterações cognitivas podem não conseguir expressar que estão com sede, calor, tonturas ou mal-estar. Nesse caso, a vigilância deve ser ainda mais atenta.
Como proteger os idosos?
Proteger os idosos do calor requer medidas simples, mas consistentes. A prevenção deve começar antes dos sintomas aparecerem, com rotinas de hidratação, alimentação adequada, ambiente fresco e acompanhamento regular.
As principais medidas incluem:
- Garantir hidratação ao longo do dia: a DGS recomenda beber água mesmo sem sede e evitar bebidas alcoólicas ou com cafeína. Em dias quentes, a hidratação deve ser feita ao longo do dia, em pequenas quantidades, para evitar longos períodos sem ingestão de líquidos.
- Manter a casa fresca e ventilada: é importante ficar em ambientes frescos, climatizados ou bem ventilados. Durante as horas mais quentes, recomenda-se manter janelas, persianas e estores fechados, abrindo a casa nos períodos mais frescos.
- Evitar exposição ao sol nas horas mais quentes: a exposição direta ao sol deve ser evitada, especialmente entre 11h e 17h. A prática de atividades físicas ou saídas ao exterior deve ser reservada para as primeiras horas da manhã ou para o final do dia.
- Usar roupa leve, clara e confortável: roupas largas, claras e respiráveis ajudam o corpo a se manter mais fresco. Chapéu, óculos de sol e protetor solar são essenciais sempre que houver exposição ao exterior.
- Optar por refeições leves e ricas em água: frutas, legumes, saladas, sopas frias e refeições leves ajudam a manter a hidratação e evitam sobrecarga no sistema digestivo. Alimentos como melancia, pepino, laranja ou tomate podem complementar a ingestão de líquidos.
- Refrescar o corpo quando necessário: duches mornos ou frescos, panos húmidos nos pulsos, pescoço e rosto, além de ficar na parte mais fresca da casa podem ajudar a reduzir a temperatura corporal.
- Estar atento a sinais de alerta: náuseas, vómitos, febre, pulso acelerado ou fraco, confusão, fraqueza intensa, pele muito quente ou tonturas devem ser considerados. Em caso de emergência, entre em contacto com o SNS 24 ou ligue 112.
Como podemos ajudar?
O apoio domiciliário desempenha um papel fundamental na proteção dos idosos durante períodos de calor intenso. Muitas vezes, a diferença está na presença regular de alguém que observa, antecipa riscos e garante que as medidas de prevenção sejam seguidas.
Na prática, o apoio domiciliário pode ajudar através de:
- Monitoramento da hidratação: o cuidador incentiva a ingestão de água, prepara bebidas apropriadas, distribui líquidos ao longo do dia e verifica sinais de desidratação.
- Adaptação da rotina diária: as tarefas podem ser organizadas para evitar esforços nas horas mais quentes, priorizando banhos, refeições, passeios ou deslocações em períodos mais frescos.
- Preparação de refeições adequadas: o apoio domiciliário pode garantir refeições leves, equilibradas e ricas em água, adaptadas às necessidades do idoso e às orientações clínicas.
- Controle do ambiente doméstico: o cuidador pode ajudar a manter a casa fresca, fechar persianas nas horas mais quentes, promover a ventilação nos momentos certos e garantir que o idoso fique na parte mais confortável.
- Vigilância de sinais de alerta: alterações como sonolência, confusão, tonturas, fraqueza, pele quente ou diminuição da urina podem ser notadas mais cedo com acompanhamento próximo.
- Comunicação com a família: a equipa de apoio domiciliar pode manter os familiares informados sobre mudanças no estado geral do idoso, ajudando a agir rapidamente quando necessário.
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